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 "contos e causos"

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AutorMensagem
feralhog



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MensagemAssunto: Re: "contos e causos"    Sex Ago 22, 2014 9:14 pm

Um Show a parte essa história carlão! muito show mesmo!



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feralhog



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MensagemAssunto: Macuco moqueado   Sex Ago 22, 2014 9:18 pm

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Era noite de inverno de lua cheia, convidado fui para comer um arroz com frango caipira, daqueles com a gordura amarela, carne firme e coxas de ossos compridos. Na casa simples do sítio, ao chegar já deparei sobre o fogão o apetitoso arroz com frango. Assim que nos fartamos com a substanciosa comida, acompanhada de bom vinho tinto e uma salada de alface orgânica, produzida a li mesmo, iniciamos um bom papo. Desta vez   fiquei conhecendo o Arnaldinho, homem de seus quarenta anos, de estatura baixa, que morava ali por perto com sua família, mas tinha vindo do litoral de São Paulo onde residiu por muitos anos num sítio pegado à Serra do Mar. Não sei se por timidez, mas o Arnaldinho quase não falava. Assim que ele me disse ter vivido próximo da serra, perguntei sobre os bichos do mato. Como o assunto lhe agradou, abriu a torneira onde jorraram estórias. A princípio contou-nos que constantemente seus animais domésticos como: cães, galinhas e porcos eram atacados por onça suçuarana; até que um dia colocou seus dois cães ao encalço da fera. A corrida não foi longe e, a onça empoleirou numa árvore. Ele, com chumbo grosso sentou um tiro no peito da bruta. A onça caiu do galho e os cães foram de dentes em cima. A onça ainda com vida emendou uma patada na cadelinha que rasgou o couro da cabeça e fugiu meio cambaleante. O outro cão seguiu o rastro e logo ela empoleirou novamente. Assim falou:---Cheguei de baixo da árvore coloquei um cartucho com bala, mirei na paleta da bicha e puxei. A bichona estrebuchou, caiu no chão e os cachorros de dente em cima.Tava morta.--- E agora que fazer?--- Carreguei prá casa, tirei o côro, bem com calma, estiquei e sarguei. A carne também sarguei e por alguns dias tratei minha cachorrada com carne da onça.
E a conversa continuou animada, com uma roda de quatro pessoas ouvindo atentamente suas estórias. Certa vez saiu para caçar no matão, levou sua mochila e a espingarda modelo pomba cal.28 que possuía na época. Para se alimentar levou um bexiga de mortadela, farinha, etc., pois pretendia ficar mais que um dia no mato. Afirmava que o local era um criadouro de macuco, até ninhos sempre achava. Caminhando pela trilha logo viu um macuco e no esbarro sentou a 28, assim segurou a ave. Seguiu seu caminho em direção à sua cabaninha improvisada. Chegando, a primeira coisa foi depenar o macuco. Enquanto depenava ia pensando o que fazer. Assim resolveu pegar a moela, o coração e o fígado do macuco, juntou com mais mortadela picadinha fez uma farofa e matou sua fome. Depois preparou um jirau alto sobre o fogo de lenha e pendurou o macuco pelos pés e foi tirar um sono, pois já estava escurecendo.
E o novo dia amanhece na mata, tudo é alegre ao amanhecer, as pombas do mato cantam, os macacos já começam a movimentação e assim todos os animais saúdam o novo dia. Arnaldinho meio sonolento bateu os olhos sobre o jirau e não deu conta do macuco que deixou moqueando. Resolveu verificar o que aconteceu, notou que só ficou um dos pés do macuco pendurado, o fogo virou em cinzas e bem no meio das cinzas que restaram notou a impressão de uma grande pegada de um felino que levou seu macuco moqueado. Veja que onça folgada nem se importou com Arnaldinho enquanto roncava em profundo sono. Uma vez saiu para a caça e logo que entrou no mato, novamente esbarrou com um macuco, com sua 28 pregou fogo. O almoço estava garantido. Continuou a caminhada pelo mato e notou um tatu galinha que fazia barulho nas folhas secas. Aproximou com cautela e mais uma caça foi para a mochila.  Quando chegou ao seu abrigo, no meio do mato, acendeu o fogo , fez um jirauzinho, e deixou moqueando pendurados meio tatu  e o macuco. Enquanto isso preparou a outra metade do tatu e comeu ali mesmo.  Descansou um pouco, escondeu a espingarda no mato, como sempre fazem os matutos, embrulhou bem o macuco, colocou no meio das roupas, a metade do tatu não teve muito cuidado de esconder. Logo depois deixou o abrigo em direção à sua casa. Quando estava quase chegando foi abordado por dois policiais florestais. Imediatamente eles indagaram sobre palmito, pensado que ele fosse extrator ilegal de palmito. Passaram então a revistar sua mochila, acharam dentro a metade do tatu e nem notaram o macuco. Imediatamente os policiais acusaram Arnaldinho de estar caçando ilegalmente, mas ele com a desculpa na ponta da língua, disse que ficou  perdido no mato por dois dias e para não morrer de fome pegou o tatu num mundéu , comeu metade e o restante guardou.
Os florestais então falaram: --- você escapou de ser preso por ter comido a metade do tatu, pois se estivesse com ele inteiro estaria preso.
Aprendam aí que comer a caça muitas vezes serve como prova de caçador de subsistência.
Mas a boa estava por vir:
O patrão do sítio onde residia, lá na Serra do Mar, uma tarde trouxe seu filho Biólogo que trabalha com proteção de animais. Justo naquele dia a única mistura que tinha prá servir era um tatu galinha, como o próprio nome diz a carne se assemelha à da galinha. O biólogo era protetor, mas não enjeitava a proteína de carne e, saboreando a iguaria do tatu questionou o Arnaldinho se ele havia matado com tiro. Ele imediatamente negou:---- Não dotô, eu saí pra riba no mato e a cachorrada topou com o tatu, e matou o galinha no dente, como ia perdê aproveitei e troxe pra comê. E o biólogo ao morder uma coxinha do tatu deu uma dentada num objeto metálico que até estralou, e questionou: ---Arnaldino, olha aqui o chumbo, você está é mentindo! E o Arnaldinho cínico como ele só, respondeu: ---Dotô, acho memo que o Sr. mordeu foi a obturação do dente do cachorro que caiu na ora que ele mordeu o tatu!!!

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carlos ferreira



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MensagemAssunto: Re: "contos e causos"    Seg Ago 25, 2014 7:06 pm

cabra mentiroso rapaz! kkkkkkkkkkk

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MensagemAssunto: Re: "contos e causos"    Seg Ago 25, 2014 7:07 pm

A SECA


Tem dias que a saudade nos invade, transformando nossos pensamentos diarios em lembranças, de um passado bom que a marcha do tempo levou, e que vai ficar eternizado apenas na minha mente, ao ver o meu nordeste molhado com a chuva, que vem de de nuvens carregadas não so de agua, mas de esperança, e de alegria, que enche o coração do nordestino, q acorda feliz com o barulho da chuva fina no telhado, ao saber que meu nordeste esta verde como esmeralda e molhado por bençãos de deus, me fez lembrar de um causo, de quando a seca brava atacava o meu sertão. Quando menino ainda cursando o primario, contava as horas para chegar as ferias, pois era certo que iria passar toda ela no mato, sempre visitava a fazenda de grandes amigos nas minha ferias de escola, um mes inteiro de caçadas e pescarias, de tarefas rotineiras, como juntar criação, tirar leite das cabras e das vacas, era meu reino encantado, mas nesse ano estava apreensivo, n sabia oque me aguardava, ha muito nao chovia, e eu tinha noticias nada boas das bandas de la, muito gado morto, nada plantado, nada de milho para o são joão, de certo não teria pamonha ou canjica na mesa no roceiro, cade deus?? Sera que havia esquecido aquele povo?? Qual pecado teria cometido para que fosse tão castigado?? Eram essas as duvidas que afligiam meu coração, As semanas passaram e finalmete ferias, preparei tudo, comprei chumbo e polvora para carregar a velha porveira, era a unica arma que tinha na epoca, uma porveira lazarina, longa, de cano calibre .38, era propria para passarinhos, tudo pronto, bornal ajeitado, porveira embalada, agora era ir pegar o velho pau-de-arara, uma f-4000 azul com umas taboas servindo de banco em sua carroceria era o acento, era o momento mais feliz da minha vida, mas meu coração doia a cada quilometro que o caminhão rodava, paisagem seca, arvores retorcidas e espinhosas, o carro n rodava muito e sepre uma nova carcaça morta de fome e sede aparecia, minha mente se perguntava oq seria dos donos desses animais??  Que tristesa ver seus animais morrendo sem nada poder fazer, a não ser rezar, e pedir mizericordia divina, a frete a estrada de terra serpenteava cortando a caatinga, depois de algumas horas de viagem finalmente cheguei na casa de meus amigos, de longe ja vi que lutavam com uma nuvilha que estava magra e fraca, tentavam a todo custo mante-la viva, mas parecia ser um trabalho em vão, o carro pipa a muito n trasia agua, e a sisterna estava quase vazia, agua q era dividida com os animais e os afazeres da casa, que tristeza eu senti ao andar nas matas que conhecia como a palma da mão, não se via um so ser vivo, ate os calangos tão comuns, pouco se via, nos açudes onde sempre pescava, apenas barro trincado, lugar onde outrora, era cheio de vida, patos e frango d'agua eram abundantes, peixes eram comuns, hoje oque se via era apenas algumas cabras magras que tentavam comer algum matinho q ressistira a seca, nao conseguia pensar em caça, nem tinha oq se caçar, oq restava era apenas ajudar os amigos a tentar salvar alguns animais que de tão magros nem ficavam de pé, a noite chorava escondido, era triste ver aquelas matas que tanta vida habitava, e agora estava morta, sem animais, sem o verde da mata, sem agua para os viventes, mesmo sem acreditar em deus, e muito revoltado com o mesmo, coloquei meus joelhos no chão, e em lagrimas pedi pra deus mandar chuva, pedi pra ver meu nordeste verde novamente, queria ver os patos na lagoa, os rastros do veado catingueiro que vinha beber agua no barreiro, os teius que fazia os cachorros latirem bonito na sua corrida, ainda com lagrimas nos olhos fui dormir, deitei na minha rede me perguntando, pra que falar com um ser que não existe?? No outro dia mesma rotina, tentar levantar o gado magro, jogar algumas carcaças longe da casa, escavar um velho barreiro com esperança de encontrar um pouquinho de agua, em vão! Passado alguns dias, ja nem lembrava q havia falado com deus, mas a madrugada mudaria muito minha visão sobre deus, acordei por volta das 2:30h da madrugada, assustado com barulhos que estrondavam toda a casa, eram trovões?? Sim eram trovões, relampagos que clareavam por entre as "brexas" das telhas, levantei e fui para fora da casa, e vi o ceu escuro com nuvens carregadas, e logo os primeiros pingos, grandes, e frios, eu parecia uma criaça q ganhou um brinquedo caro, corria no terreiro da casa, querendo pegar os pingos de chuva com a boca, e cada pingo que caia em mim era como um banho de animo, logo a chuva engrossou, e eu podia finalmente sentir os pingos gelados em minha lingua, e em meu rosto ao ficar olhando paracima, passei mais de uma hora tomando banho de chuva, como li em um causo de um amigo, "aquele banho lavava bem mais que o corpo, lavava toda a alma," tirando toda a amargura do meu coração, revigorava minhas forças e meu animo, como estava bom, que vontade de gritar, por mim nem saia mais dali, mas estava a muito tempo molhado e podia adoecer, entrei troquei de roupa, e fiquei na janela, olhando na luz de um poste na frente casa a chuva q caia, os pingos faziam riscos perfeitos na claridade da luz, foi ai que lembrei da minha conversa com deus, e entendi que tudo é perfeito, que tudo acontece na hora certa, no outro dia dava gosto de ver meu sertão, o cheiro da terra molhada invadia a casa, um velho riacho que a muito não via agua agora escorria agua barrenta ainda, pois carregava toda a poeira que os anos de secas deixaram, em poucas semanas a caatinga estava verde, tinha capim para as cabras, e para o gado, a relva verde espalhava por toda mata e ja se escutava o cantar alegre dos inhabu, aos poucos se via as primeiras asa-brancas, e os patos revoavam assoviando no ceu do sertão, o povo animado pra plantar, agora ja dava gosto andar na caatinga, que felicidade. Foi ver denovo os calanguinhis correndo um atraz do outro, infelizemente pouco eu caçei nesse ano, apenas alguns patos e teiu,  e as ferias acabaram, e meu coração ficou apertado  por sabe que tinha que voltar pra cidade, mas a esperança de retornar nas ferias do fim de ano ja me enchia de alegria, na volta o carro seguia na estrada que ate parecia outra, o cheiro da aroeira se espalhava, e o cheiro gostoso da imburana entrava nariz a dentro, era meu reino encantado que ficava pra traz, mas eu sabia no fundo do meu coração que estaria de volta logo logo, e que veria o velho pedro com os braços apoiados na janela com o olhar fixo talvez lembrando de suas caçadas, e ja ouvia ele respondendo meu cumprimento, "opa seu "pedo" tô de vorta" e sua resposta era sempre a mesma, "chegou bão beto? (era assim que me chamava) agora acabou o sucego das penosas eim" eu me espelhava naquele moço, pois como ele eu queria viver minha vida intensamente e ter muito mais historias como essa para contar para meus netos.

Carlos Alberto
30/05/2014


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MensagemAssunto: Re: "contos e causos"    Seg Set 01, 2014 10:44 am

Certa vez o zé da areia, e um outro amigo foram caçar veado, levaram a cachorrada pro mato, o zé levou uma cachorro meio amarelo e grande cruza de americano com não sei o que, e lá se foram atrás dos cervos, a cachorrada começou acoar e os dois partiram igual doido pra cima do barulho, o veado muito do esperto deu a volta na capoeira e entrou numa roça de arroz o zé tava mais perto da roça e viu o arroz abrindo se posicionou só esperando o bicho pular pra fora pra soltar uma chumbada nele, na outra ponta o toninho tava com uma porveira soca soca, daquelas de carregar pela boca do cano, por fim quando o veado saiu pro zé ele não pensou duas vezes soltou uma cartuchada de 16 na paleta do bicho e já saiu cantando vantagem, chegou lá era o cachorro dele nem mexia com o balaço que levou, na outra ponta o toninho via o arroz abrindo e a adrenalina corria solta, e o movimento veio vindo pro lado dele, o coração subia no pescoço e voltava pro peito, quando falta um meio metro pro bicho sair do arroz, o toninho não aguento e meteu fogo, foi powwwww e caiaim caiaim caiam, até hoje não se sabe como mas um único caroço de chumbo acertou o quinto dedo da formosa uma cadela vira lata, o veado até hoje não se sabe por onde fugiu, mas a caçada terminou com o zé matador de cachorro, e o toninho deixando a formosa mais veiaca que aposentado em porta de banco, foram uns 15 dias pra ela encostar na casa do sitio de novo, ainda sim ficava de longe escondida num pé de café observando se o toninho não aparecia.
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MensagemAssunto: Re: "contos e causos"    Seg Set 01, 2014 5:12 pm

Agora vou contar um causo de um cabra conhecido de mais aqui na região de Marcelândia norte do MT, o caboclo é conhecido como tonho mentira, dai já da pra ter uma base das cunversa cabeluda que o homem solta no povo.
Diz o tonho que tava pescando no corgo matrinxã que passa no fundo da terra do velho pai dele, e um tiziu dano incomoda, sentava na vara fincada no barranco e ele não sabia se era peixe ou se o pássaro, por fim ele embraveceu pegou na aba do boné e esperou o tiziu sentar de novo na vara a hora que o bicho firmo o pé no caniço ele pranchou uma bunezada, o tiziu caiu no rio e um trairão já engoliu ele na hora, ai o tonho mais esperto que rabo mole é beira de boiada, pegou a vara botou um lambari de isca e desceu a linha bem devagar onde o trairão afundou, e pimba o bicho juntou brigarão um tempo os dois, ai o tonho tirou o trairão pra fora ejá abriu a barriga dele, e não é que o tiziu saiu igual uma bala lá de dentro voava mió de que quando o trairão comeu ele.

Pra ajuda o caboclo ainda olha pra mulher e pergunta
- I num é verdade Denise?
E fala que não pra ver
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MensagemAssunto: Re: "contos e causos"    Seg Set 01, 2014 5:47 pm

agora vou contar um causo dos tempos em que se podia viver na lida, em que a vida era comemorada e as amizades se faziam na beira do rio ou nas varridas.
o nome do guri é paulinho.
Certa vez fui eu e meu tiuzinho, o dair companheiro bão de mais, pescador, caçador e contador de mentira, o homem era pacote completo. Ele chegou em mim e disse, paulinho vamos lá no zé timóteo caça paca?, como eu não tinha experiência alias nunca havia caçado fiquei mais animado que pinto de noivo em véspera de casamento, eu não tinha arma, então corri num amigo meu peguei uma 28 emprestada, espingarda boa de mais até bandido ela já tinha empurrado pra cova, tão velha que a boca do cano era fina, corri pra casa do dair, mas antes passei na loja de caça e pesca e comprei 5 cartucho 28, cheguei lá o dair disse que no trecho do zé tinha muito porco e veado mateiro, então resolvemos reforçar 3 cartucho pra causo topasse com bicho grande, e lá foi o dair aumentar a polvora e o calibre do chumbo, e eu do lado observando tudo, no outro a gente partiu pro sitio do zé, chegamos lá no ranchinho beira chão, lugar muito simples, muito humilde, mas amado de coração, seu cego de um olho de tanto levar porvada na cara já puxou uma garrafa de café e nós ferremo na prosa, o almoço ficou pronto e a gente foi come, arroz branco, feijão preto, e ovo de galinha caipira, carne não tinha mas falta também não fazia, o velho já botou na mesa uma pimenta que até o capeta respeita, já molhei a faca e mandei no prato, cuspi fogo uma meia hora, mas a bicha tava da hora boa pra mais de metro. Findado o almoço o velho zé veio se desculpar conosco por que seu neto menino afobado a nossa vez tinha cortado na fila do almoço, ali a educação é de um jeito que não se vê mais, o velho é sistemático, a peia come solta sempre que precisa, mas nessa família nunca se viu puta nem bandido.
Barriga cheia a gente partiu pro mato, o dair com a maria trás a vela, uma 36 brocada pra 32, seu zé com uma 20 brocada pra 16 e eu com a 28, antes de sair do sítio resolvemos testar a 28, contei 12 passo de uma tábua de garapeira seca o dair desenho um círculo com carvão e eu pranchei fogo na bicha, abriu um buraco de 2,5 cm de diâmetro não bateu um caroço fora, seu zé já me cantou na espingarda, queria comprar de todo jeito, só tinha um detalhe de tão velha a câmara ja estava gasta e o cartucho estufou e furou a espuleta, tomei uma porvada no zói que pisquei azedo a tarde inteira.
Chegamos no mato logo que entramos o seu zé foi dado o mapa da mina, aqui tem pé de flor de paca, ali de oreinha, mas pra baixo tem jambeiro, depois do corgo tem jatobá, e nesse meio termo já escutemo um rabo mole esturra, andemo bastante ai seu zé achou um rapado no chão já falou aqui é meu lugar, isso aqui é veado mateiro que de noite volta pra rapá, o velho com 60 anos, cortou as varas e eu tive a honra de pregar o puleiro ele trepou armou a rede e desceu, esse ai é um menino que nunca envelhceu, descemos mais um pouco um pé de flor de paca caindo flor coisa mais linda, bastante flor roída ai eu e o dair resolvemos ficar ali, fizemos um puleiro pra mim, e o dair fez um pouca coisa mais pra baixo ficamos de costas um pro outro, quando a a noite chegou a gente empuleirou, pena que a noite era de lua clara até as 11 da noite, era mês de junho, época do frio no mato grosso, eu sentado no puleiro e o dair na rede, o sono veio me pegou e eu cochilei sentado, com a 28 no colo, ai escutei um bicho e mesmo sem abrir o olho eu sabia que ele tava ali, ai sentir bater um trem na minha cabeça, acordei na hora assutado com a a espingarda na mão doida pra chumba um vivente, passei a mão no boné era uma flor de paca que tinha me acertado, eu fiquei ali imóvel, ouvindo até o coração batendo, nunca tinha ouvido tamanho silêncio, tamanha paz, de vez em quando um galho estalava e o coração veio já batia na alta, a perna tremia, só quem meche com lida sabe o que é isso, no fim não era nada, lumiava lumiava e nada, ai eu vi que o dair ascendo a lanterna, pensei comigo se foi a primeira, em vez de tiro ele deu um grito e um bicho pesado sai patrolando tudo dentro do mato, pensei comigo é a dona anta que bateu no puleiro dele, um bom tempo depois a gente ainda ouvia a quebração dentro do mato, não deu 10 minutos o dair urro de novo, outra anta, ai o frio véio começou a gelar a butina, eu me encolhia no puleiro mas não tinha jeito o trem quando pega até a alma da gente se encolhe, e ali capengando de sono e nada da lua entra pras pacas sairem, por fim quando finalmente a bicha sumiu do céu, não levou 15 minutos, escutei um bicho caminhando, fiquei veiaco por que sabia que nesse trecho era comum onça roubar paca morta em baixo do puleiro, fui acompanhando os passos com o ouvido, era tchep tchep, ai parava depois vinha de novo tchep tchep, pensei comigo mesmo ela ta aqui, ta na minha frente, minha primeira paca ta na minha frente, ai ajeitei a espingarda sem fazer barulho, firmei ela no ombro, segurei a lanterna junto do cano, quando eu ascendi eu vi a listrada de lado pra mim uns 15 m do puleiro, não guentei mirei na cabeça, mas como eu ja tava veiaco com a 28 na hora de puxa o dedo eu tirei a cara de cima pra num leva outra porvada no zói, foi powwww, pensa numa espingarda de tiro bonito, lumiei pra tudo que lado e nada de paca, errei feio não pegou um caroço sequer na bichinha, ficamos mais um tempo e fomos em bora sem matar nada, chegamos na rede do seu zé o véio tava mais amontoado que cobra dormindo, ai fomos pra casa, chegando no sitio o dair me perguntou tu atirou no que muleque? falei que tinha atirado na paca e tinha errado, ai ele disse tu é burro era só esperar que ela encostava no puleiro, ai eu disse ia nada ela tava indo pra tua ceva, tava de frente pra tua fruteira no carreiro, por isso eu atirei, ai ele me olhou e disse tu é bem fdp mesmo né só que por que eu ia pegar ela e deu risada.
Essa foi minha primeira caçada com esse cabra, parceiro de mais da conta é o pai que eu nunca tive, o meu morreu cedo de mais, esse ai me ensinou tudo que eu sei de mato e de bicho é meu herói.
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