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 Apologia às flechas – Do clássico ao moderno

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mfbruno



Mensagens : 61
Data de inscrição : 12/09/2012
Idade : 26

MensagemAssunto: Apologia às flechas – Do clássico ao moderno   Ter Mar 26, 2013 8:15 pm

Boas a todos.
Quem nunca se viu parado, frente ao seu alvo, com o arco ou a besta na mão e pensou “caramba, como gosto disso”? Ou não viam a hora de chegar em suas casas e disparar algumas flechas enquanto relaxava? E até mesmo não ficou esperando ansiosamente o carteiro apontar na esquina da rua para correr até o portão e ver seu equipamento novo que chegara?
Talvez vocês possam achar meu texto um pouco filosófico demais, mas quero compartilhar com a comunidade a experiência prazerosa que é se sentir completo ao ver sua flecha flutuar no ar.

O Início.
Desde que o homem possui registro de outros homens, sabe-se que aquele arco de madeira unido pelas pontas com uma corda já era presente. Sim, falo de tempos remotos, muito remotos. As primeiras pontas de caça foram datadas do ano 71.000 a.C. Feitas de pedra lascada, provavelmente provinham das primeiras lanças utilizadas essencialmente para a caça de animais de grande porte e, com certeza, também para a defesa contra outras tribos hostis. Já no ano de 60.000 a.C. temos os primeiros registros evidentes da utilização de lanças mais complexas e talvez até dos mais rudimentares lançadores, como o arco. Manusear esta arma está ligado diretamente com a evolução intelectual e motora dos nossos ancestrais, pois exigem uma habilidade mais fina desde sua confecção até a sua aplicação em campo. Foi por conta das flechas e das lanças que cá estamos hoje, pode-se dizer assim, pois por sua velocidade e praticidade o homem conseguiu sair do continente africano e se espalhar pelo mundo, lhe dando a possibilidade de caçar animais de maior porte, provendo assim alimentos diversos, e de defender suas casas contra qualquer hostilidade que poderia atrapalhar o início do sedentarismo e o aperfeiçoamento da agricultura.
Quando pensamos no arco na antiguidade e na era clássica, pensamos nas guerras, mas os inúmeros arcos e flechas que surgiram no decorrer do tempo não só modificaram a história de campos de batalha, mas por conta de sua versatilidade, podemos incluir sua utilização em um âmbito mais abrangente: Sobrevivência.

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A Evolução Necessária.
O tempo correu e o homem correu contra ele. Em quesitos bélicos, tudo se modificara. Armaduras e lâminas se aperfeiçoaram, cidades de pedra e cerâmica foram erguidas. Telhados mais complexos para guardar as pessoas das tempestades também apareceram. Penso; o arco que lança aquele pedacinho de bronze na ponta conseguia ainda coexistir com tamanha evolução humana? Da mesma forma que tudo se modificou, a manufatura do arco também. Novas madeiras, novos comprimentos de flechas, tudo se adaptou às necessidades do homem de sobressair. Conseguem imaginar uma flecha com fogo na ponta? Perfeito para colocar uma vila inteira em chamas dentro de segundos. Uma ponta de arco feita especialmente para cortar como manteiga derretida a armadura pesada de um cavaleiro? Mas que essa não seria tão vantajosa também para criar uma ferida significativa em um soldado vestido em couro ou em uma caça. Temos então a arquearia complexa. Mongóis, hunos, ingleses, chineses, coreanos, todos estes cobriam os céus com flechas temidas por todo o mundo. Têm-se também o nascimento das bestas, essas que vinham de diversos tamanhos. Grandes o suficiente para necessitarem de vários homens e instaurarem o caos nas muralhas, ou pequenas e potentes a ponto de um simples aldeão ser capaz de mergulhar nas florestas e caçar qualquer inimigo. O conflito tecnológico baseado entre essas ferramentas que envolvem um arco e uma flecha foi decisivo, principalmente na Europa que nossa historiografia deixa mais evidente. As bestas complicadas e lentas provocaram uma mudança geral nos frontes de guerra. Eram muito mais fáceis de serem utilizadas em infiltrações pelas matas e rápidas de provocarem uma emboscada. Assassinar com uma besta era algo fácil devido sua potência. Também era uma das melhores opções na hora de defender uma muralha, pois a mesma dava condições de proteção na hora de recarregar a besta. Temos então mais uma evidência de como essas ferramentas modificou o caminhar do homem através do tempo. A besta ficou tão querida que mesmo depois do surgimento das armas de fogo, ela continuou sendo usada e aperfeiçoada. Os chineses chegaram a desenvolver uma besta de repetição, a Chu Ko Nu, capaz de disparar em média 10 setas dentro de segundos.



O Tiro Como Esporte e Caça.
Após os ideais iluministas tomarem o mundo e o homem começar a ser o centro do universo, muitos costumes surgem unidos à evolução científica. Com as armas de fogo tomando o campo bélico, a arquearia passa a se tornar recreativa. Não tomem isso como um “apagar da chama”, muito pelo contrário. A burguesia tendo acesso a estes equipamentos em forma de lazer, muitos entusiastas nascem e aperfeiçoam estes equipamentos, além de que aparecem agora os primeiros torneios e teorias sobre essa arte milenar. Já ouviram falar do Paradoxo do Arqueiro? Ela é um exemplo de observações científicas modernas que surgem com esse avanço esportivo do tiro. A caça nunca foi deixada de lado. No contemporâneo, ela também é ligada ao esporte, dificilmente alguém tem que caçar para sobreviver no mundo atual, ainda mais com armas “rudimentares” como nossas queridas lançadoras de flechas e setas, já que a arma de fogo também assumiu seu posto definitivo nesta modalidade. Mas não, não estou criticando as armas de fogo, só estou tentando mostrar o lado do arco e da flecha.

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Eu já pratiquei diversos esportes. Natação, futebol, futsal, musculação, basquete, boxe e tiro ao alvo. Mas sabe quando você encontra aquele que te faz perder a hora, voltar pra casa sorrindo sem nem se preocupar se perdeu alguns quilos durante o treino? Pois bem, a luta e o tiro ao alvo me fizeram sentir isso. Mas, qual o motivo? Bem, creio que cada um tem a sua. A minha é simples: Contato com o passado. Tanto a luta quanto o tiro ao alvo exigiram de mim uma concentração que parecia estar hibernada nos instintos viscerais do meu ser. Foram uma forma de movimentar o meu corpo em um sentido que a modernidade tentou apagar de nós. A razão que te leva a encostar o dedo gelado no gatilho mais frio ainda de sua besta, enquanto a concentração dos olhos cruza com a dos braços, tentando colocar a mira da besta acima do centro do alvo e nada mais se ouve ao redor além do suor que escorre da testa, é inexplicável. Somente o Arqueiro sabe qual foi a razão que o levou a disparar sua flecha naquele momento. Arqueiro com letra maiúscula, pois são estes que tem essa paixão por atirar.

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Sendo assim, meu gosto sempre tende aos arcos e bestas mais rústicas, principalmente as recurvas. Armar uma besta recurva, a força aplicada no braço e no gatilho para disparar nossas flechas me faz estremecer de alegria. Não troco o ato de segurar um arco longo de madeira bem polida, um recurvo sem nenhum acessório além dos meus olhos instintivos, uma Microshock feia e dura, por equipamentos plastificados e cheios de polias ou acessórios auxiliares. Quero deixar claro que isso é meu gosto estritamente pessoal, justamente por exigir de mim algo que não posso deixar esse tempo devorador dos homens me tirar. Não, não estou criticando as compostas ou as feitas de plástico, porém essas nunca terão espaço em meu coração. Neste texto não falo sobre elas, mas falo sobre quem atira com elas. Estes Arqueiros, independente de seus equipamentos, eles sim estão no meu coração.

Obrigado ao fórum e seus Arqueiros por trazerem tantas alegrias e informações.
Que suas flechas sempre atinjam o alvo!
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Furadan



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MensagemAssunto: Re: Apologia às flechas – Do clássico ao moderno   Ter Mar 26, 2013 8:37 pm

Belo texto!

A experiencia pessoal de cada equipamento é maravilhosa, mas a flecha acertada no alvo é tão quanto satisfatória, independe de "como", assim como um tiro de rifle faz agraciar um belo sorriso do atirador, um estilingue na mão de um menino é um show a parte, de certa forma é um ar de competência e capacidade.

Very Happy

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“Ousadia contém gênio, poder e magia.” (Göethe)

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Ruy



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MensagemAssunto: Re: Apologia às flechas – Do clássico ao moderno   Qua Mar 27, 2013 12:18 pm

Muito bom o texto. Parabéns!

Já havia lido algo sobre invenções que mudaram a história da humanidade e me lembro que entre elas estava o arco e a flecha.
O texto é antigo, Journal of the Patent Office Society, fundada em 1917, cujo título é "The Bow and Arrow, The Greatest of Inventions" de 1922.
Traduzo algumas linhas:

"A invenção do arco e flecha foi talvez o mais estupendo evento da história da humanidade. Foi a primeira máquina composta; ele fez do homem "o rei das feras" e o senhor da Terra; não seria extravagante, talvez, dizer que marca o fim do período da supremacia física e o início do período do intelecto".

- Lendo esse parágrafo, achei um pouco de exagero do autor. Mas considerando a época em que foi escrita e os argumentos apresentados, ele têm boas razões para pensar dessa forma.

"O arco e a flecha consiste de três elementos, o arco, a corda e a flecha. Todas as ferramentas utilizadas antes da invenção do arco e flecha tinham sido simples utensílios como machado, martelo e dardos. Simples e rústicos. Com esses simples elementos os homens trabalhavam e lutavam."

"A concepção de um equipamento composto ou máquina em que uma parte inanimada operada por uma segunda parte para operar ainda uma terceira foi uma obra da capacidade mental. Foi um mestre, ainda que um selvagem, a mente que concebeu esta primeira máquina. Não havia nada na natureza que pudesse sugerir; nada que o homem conhecia ou usava poderia sugeri-lo. Não havia sido um desenvolvimento de algo que existia. Pela sua natureza foi evoluído toda e completamente através da mente humana. A lança foi um aperfeiçoamento, assim como o machado, de uma vara afiada ou de um martelo mas nenhum utensílio simples se parecia com um arco. A novidade não era apenas do arco mas também o princípio de utilização da força mecânica para exercer o trabalho para o homem. O mecanismo complexo de hoje é tão somente uma expansão e uma variação de um princípio que foi primeiramente introduzida através do arco e flecha; a primeira combinação de elementos cooperativos. Nosso desenvolvimento mecânico e da parte na qual foi baseada a nossa civilização data dos primórdios da invenção do arco e flecha."

Sds.
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gilsonrs



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MensagemAssunto: Re: Apologia às flechas – Do clássico ao moderno   Qua Mar 27, 2013 4:28 pm

Caramba.
Você narrou no inicio do seu texto exatamente o que eu estava passando a poucas horas atrás. Olhando pela janela do prédio onde trabalho a cada barulho de carro para ver se é a combi dos correios trazendo meu primeiro arco.
A combi veio e trouxe meu arco. Agora a hora não quer passar para eu chegar logo em casa e encher uma caixa de papelão com um cobertor velho para usar como alvo.
Isso é triste.
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MensagemAssunto: Re: Apologia às flechas – Do clássico ao moderno   Hoje à(s) 9:54 am

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